27 de mai de 2016

Test Time Review #16 - Audioslave (2002)



Das cinzas do Soundgarden e do Rage Against The Machine surgiu um dos maiores fenômenos do Rock do inicio dos anos 2000, o Audioslave (inicialmente chamado de Civilian) impactou a cena com uma sonoridade explosiva e atual, conversando com as mais diversas gerações, o debut auto intitulado Audiolsave vendeu milhões de cópias e virou uma referência após os grandes fenômenos musicais dos anos 90.

Musicalmente representou o renascimento de Chris Cornell na cena, uma vez que o fundador do Soundgarden, e padrinho do Grunge estava fora dos holofotes após Down At Upside de 1997 e seu primeiro disco solo, o bom Euphoria Morning de 1999,  já Tom Morello, Tim Commeford e Brad Wilk viviam o baque da separação com Zack De la Rocha no auge do RATM. Contando com Rick Rubin que assinou a produção, o quarteto tinha o que precisava para prosperar, experiência, talento e bons contatos de bastidores.



A Banda

Chris Cornell (Vocal)

Tom Morello (Guitarra)
Tim Commeford (Baixo)
Brad Wilk (Bateria)

O Contexto


O Rock atravessava uma ressaca absurda após a explosão advinda de Seattle, o último grande movimento genuíno de rock pesado transformou o mundo das guitarras em um drama recheado de sucessos, mortes, críticas e super exposição que varreram muita das bandas surgidas na cidade chuvosa da costa oeste americana uma vez que os grandes pilares da cena agonizavam.


Nirvana acabou com a morte de Kurt Cobain, Soundgarden estava parado devido ao desgaste dos anos, Alice In Chains paralisado com a decadência e morte de Layne Stanley, Pearl Jam  experimentando voltar a mídia após uma perdido sabático. O Rage Against The Machine, por sua vez, tinha se desfeito após uma crise entre Morello e La Rocha, o mundo do rock começava a experimentar a onda do New Metal, e a indústria fonográfica estava em seu auge, ou seja, produzindo de tudo.


O início do século XXI experimentou o nascimento da internet como grande motor de mídia e o compartilhamento e vazamento de músicas já era realidade, tanto que as primeiras demos, ainda como nome de Civilian ou Civilian Project já vazavam a torto e a direito. Em uma era de novidades, o som básico, pesado e recheado de citações clássicas do Rock pegou o mundo da música de supetão, o Audioslave era um recém nascido campeão.


As impressões do passado


Quando o riff de Cochise dá as caras ficou claro que a jam entre Morello, Commeford, Wilk e Cornell foi proveitosa, um hit típico das grandes bandas, um blockbuster seguida da extraordinária Show Me How To Live, um dos maiores clássicos do Rock nas últimas décadas, mostrava sem humildade que Morello e Cornell eram as estrelas, o primeiro com riffs e solos arrebatadores o segundo com sua voz singular, potente e versátil, tudo apoiado pela cozinha perfeita de  Commeford e Wilk.


A inspiração setentista guiou mais dois grandes momentos, a balada comercial e bem arranjada Like Stone, que tem o dedo de Rubin e seus ouvidos afiados para captar um grande hit e I Am The Highway e sua veia acústica tendo em Cornell seu maior trunfo, soando como uma retrospectiva do multiplatinado Superunknow do Soundgarden.


Para quem estava cansado da mistura de Rock Industrial, Rap e maluquices sem fim (que também tinham seu valor, e eram coisas legais até extrapolarem o bom senso) ouvir riffs diretos e batidas orgânicas como Set It Off embalada em um refrão perfeito, e o groove bulesy de Exploder era libertador, só um time desses podia entregar algo assim,sendo impossível não curtir a vanguardista mas acertada Hypnotize. Afinal estávamos presenciando uma grande banda nascer, sim, movida a dinheiro, esquemas publicitários e grandes nomes, mas o som tinha alma e cativou.


Munidos de grandes músicas e com um disco muito bem produzido o Audioslave fazia muito barulho e de muito boa qualidade, mesmo para aqueles, que como eu esperava um novo Badmotorfinger, que de fato não ocorreu.



Como o álbum envelheceu?

Ouvir a estréia do Audioslave quase quinze anos depois de seu lançamento me remete a tempos de transição, pessoalmente eu vivia entre o inicio da faculdade, começando a trabalhar e a amadurecer meu gosto musical. 


Um bom tempo no qual as grandes gravadoras, apesar de produzir toneladas de lixo ainda tinham seus tiros certeiros e investiam em estúdios bons, além de ainda haver a surpresa por trás de cada lançamento, pode ser saudosismo de minha parte, mas pessoalmente era legal vivenciar a experiência da música desse jeito, de ter um produto bem feito em mãos.


Em termos sonoros, o disco é atual, não pereceu, conseguiu sobreviver ao tempo e deu continuidade ao resgate do rock setentista que já aparecia em meio a barulhenta mistura de Punk e Metal do grunge, mas de forma comedida e com uma veia mais voltada ao rock de arena e seus refrões grandiosos.


Vale a minha mea culpa, eu gostava muito do disco, mas sempre fui muito fã do Soundgarden e sentia falta dos climas sombrios influenciados por Black Sabbath, gerando as vezes indagações  sobre o porquê de Cornell estar distante da banda que fundou.


Hoje tenho a resposta, o Audioslave era uma nova fase, a força de expressão e o dialogo com outras linguagens artísticas advinda do imenso talento de Morello, Commeford e Wilk, a minha ingenuidade à época me surpreende.



Audioslave (2002)




Postar um comentário